Take Ivy: A moda Ivy League das Universidades Americanas

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A Ivy League é um grupo de oito universidades de prestígio dos Estados Unidos: Harvard, Yale, Princeton, Brown, Columbia, Pennsylvania, Cornell e Dartmouth. O originalmente se referia à liga esportiva formada por essas universidades, e vem da hera que cobre vários prédios dessas instituições.

Nos últimos anos da década de 1950, o estilo de se vestir dos alunos começou a chamar a atenção e influenciar a sociedade americana em geral e também outros países. Em 1965, no Japão, foi lançado o livro “Take Ivy”. O livro foi resultado de uma viagem de quatro japoneses aos campus dessas universidades. Interessados em registrar e tirar fotos do estilo de vida dos estudantes, fizeram o que seria o registro definitivo do estilo.

As fotos retratam cenas do cotidiano em universidades como Harvard e Princeton em uma época de grandes mudanças, nos que seriam os últimos anos desse estilo clássico.

Take Ivy – Japão e EUA

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O Japão tem um relacionamento muito interessante com o estilo de vida americano. A história desse livro começou na primavera de 1965, quando a lendária marca japonesa VAN, especializada em moda americana, planejou um curta metragem filmado nas escolas da Ivy League para mostrar a seus clientes as roupas sendo vestidas no seu habitat natural.

O Japão da época já tinha grande admiração pelo vintage dos Estados Unidos e marcas como a VAN mantinham vivas as tradições do estilo Ivy em suas coleções. O editor da revista japonesa Men’s Club, publicação também dedicada ao estilo, embarcou na ideia e pediu que seu fotógrafo acompanhasse a aventura para gerar conteúdo editorial.

Teruyoshi Hayashida era bom amigo de ambos e foi a escolha óbvia. O fotógrafo foi junto e podia tirar quantas fotos quisesse, desde que não atrapalhasse a equipe de filmagem. As centenas de fotos reveladas foram tão legais que superaram muito a qualidade da gravação, e a VAN acabou lançando um livro para acompanhar o filme.

Os dois trabalhos foram lançados com o título Take Ivy em 1965. O filme praticamente desapareceu, mas o livro virou uma referência de estilo. Inspirou todas as gerações de fãs do estilo Ivy no Japão, e mais tarde, no mundo.

Evolução do Estilo Ivy

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O estilo Ivy League nasceu no início do século 19. Teve sua “era de ouro” na década de 30, quando ainda pertencia aos “aristocratas”. Nesse início, o estilo Ivy era vibrante, dinâmico, e uma expressão dos valores e tradições da costa leste dos Estados Unidos. As regras codificadas passavam de pai para filho e representavam o modo de pensar WASP.

A era de prata foi na década de 50 e 60, quando virou um estilo democrático e muito popular. Foi espalhado pelo prestígio das melhores faculdades do país e todos queriam ser como os alunos de sucesso.

Nessa época, era uma opção boa, elegante, e estilosa para grande parte da população. Eram tempos de paz e promessas de felicidade após a guerra. Os jovens queriam se vestir dessa forma, levar uma vida despreocupada e cheia de oportunidades.

No começo, eram poucos, e depois muitos… E de repente, nenhum jovem queria se vestir assim. Alguns anos depois dessas fotos serem tiradas veio o Verão do Amor de 1967, que marcaria o início da era Hippie.

Os Tempos Mudam

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O fim do Ivy como moda veio com as mudanças da sociedade…. afinal, essas universidades eram extremamente elitistas… o movimento dos direitos civis estava no auge, entre outras mudanças profundas na sociedade.

Essa revolução cultural no final dos anos 60 e as mudanças de valores criou um novo motor cultural que empurrava a moda de baixo pra cima, e não de cima para baixo.

O estilo característico da Ivy League americana entraria em decadência para dar lugar a cabelos compridos e camisetas tie-dye.

Peças como a camisa oxford, o blazer, os penny-loafers, bermudas madras, e gravatas, se tornaram sinônimo de caretice e de todas as promessas que não se tornaram realidade.

É fácil reparar como essa visão mudou nos EUA. Os filmes dos anos 80 e 90 sempre utilizam o cara “preppy” (uma variação comercial/fashion) do estilo Ivy como o vilão. Aquele moço rico engomadinho que aterroriza o esforçado com menos condições financeiras.

Quando o visual Ivy parou de ser considerado estiloso dentro da universidade, ele deixou de ser estiloso em todos os outros grupos. Os “influencers” mudaram. O campus sempre foi o carro chefe do look, o lugar onde ele foi criado e onde floresceu. A universidade era necessária para a relevância cultural do estilo. Eram os jovens alunos que ditavam o que era legal e o que não era.

Quando eu olho para as fotos sou sugado por uma visão nostálgica de uma época muito diferente da vida universitária atual. Poucos anos depois, essas escolas estariam cheias de jeans e costeletas. Entrariam em uma época pós protestos contra o Vietnã, assassinatos de figuras públicas, e mudanças culturais que desafiaram todos os valores da sociedade até então.

Características do Estilo Ivy

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Esse estilo não veio mastigado de uma loja. Ele foi formado gradualmente pela cultura jovem. Os estudantes iam selecionando as roupas entre as opções fornecidas por lojas como a Brooks Brothers e J Press, aprovadas pelos pais.

O resultado era uma mistura criativa e inusitada dos ingredientes certos (não podia ser qualquer marca). Esses ingredientes não variavam muito e seguiam algumas regras, mas a maneira de usar essas peças estava em constante mudança.

Casualidade

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O ambiente casual das universidades e a necessidade de conforto utilitário levou os jovens da década de 30 a preferirem tecidos mais resistentes e casuais. Ao invés dos ternos de lã fria eles preferiam as camisas oxford, suéteres de lã shetland, paletós de tweed e calças de flanela.

Todas essas roupas eram consideradas bem casuais na época. Na época os trajes eram claramente separados entre cidade e campo. Sapato preto é para a cidade e sapato marrom para o campo, por exemplo. As universidades arborizadas trouxeram elementos do campo para dentro da cidade, influenciando a moda masculina a seguir uma direção ainda mais casual.

Os alunos fotografados estavam em cima de um muro: Por um lado, se preocupavam em manter viva as tradições, e pelo outro, começavam a quebrá-las. Apesar de se vestirem de uma maneira que hoje consideramos extremamente formal, os jovens fotografados eram muito mais casuais que seus predecessores, que não arriscariam sair sem uma gravata.

Influência do Esporte

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Observando as roupas nas fotos podemos notar a influência de um detalhe interessante das universidades americanas: o esporte anda de mão dada com a educação.

Se você não joga ou treina alguma coisa, provavelmente tem orgulho dos times da sua universidade e faz o papel de torcedor assíduo.

Parte da filosofia das faculdades e também dessas famílias tradicionais da época era cultivar a mente e o corpo, sempre com o trabalho duro protestante. Isso se reflete na forma de vestir dos alunos. Eles misturavam peças das práticas esportivas. Vestiam jaquetas varsity, blazers de regata, tênis de corrida, e moletom.

Essa ligação acontece até hoje, mas a evolução do equipamento esportivo deixou tudo bem menos “charmoso”.

Comprou, Tem Que Usar

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Outro fato curioso dessa cultura “Trad” é a idéia de aproveitar até o fim tudo o que se tem. As coisas eram passadas de pai para filho como herança. Tudo o que as pessoas tinham simbolizava o resultado do trabalho e por isso era preciso usar até o fim.

As camisas oxford, com listra azul no primeiro ano, terminavam a universidade sem listras nenhumas. Bermudas xadrez de cores vivas, passavam a ter tom pastel. Calças vermelhas ganhavam queimadura de sol… um tom muito utilizado em calças hoje em dia. Dobravam-se as barras de calças muito compridas, herdadas dos irmãos mais velhos. As calças antigas demais, eram cortadas para virar bermudas, e por aí vai.

Tudo isso era para passar uma idéia de uma vida bem aproveitada, sem preocupações com futilidades. Um paradoxo de quem tinha dinheiro para comprar o que quisesse.

Entram os Japoneses

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De certa forma, foram os Japoneses que mantiveram a idéia em seu estado puro viva, pronta para voltar aos holofotes anos depois.

Temos que lembrar que em 1965, as viagens internacionais para fora do Japão ainda estavam começando. O fotógrafo e a equipe da VAN foram muito sortudos de conseguir visitar os Estados Unidos. Para o culto ao estilo existente no Japão, essa viagem era como uma peregrinação até Mecca.

A reverencia que eles tinham pelos estudantes transformou em artefatos culturais o que poderia ter apenas fotos dos últimos dias de aula. Hayashida viu algo mágico e graças ao seu trabalho, os últimos suspiros do estilo da época vivem para sempre.

Essa forma de se vestir ainda é muito popular no Japão, que continuou de onde os EUA pararam, com uma visão romântica de um estilo tão registrado em publicações, filmes, e livros como este. Eu postei várias fotos de uma revista chamada Free & Easy que continua a documentar esse visual.

O livro era extremamente difícil de encontrar até mais ou menos 2009, quando as imagens começaram a ser divulgadas na internet. Take Ivy foi relançado em 2010 e inspirou uma audiência ainda maior, extremamente preocupada com os detalhes do look “correto”.

É fácil olhar as coleções, as marcas, os blogs e as fotos de rua nessa época e ver como a influência do estilo foi grande. Bombaram marcas como a Gant, que lançou a linha Gant Rugger (mais jovem), a Ruby, Band of Outsiders. A própria Brooks Brothers ganhou novo fôlego. Estilistas como Michael Bastian e Thom Browne viraram sensações.

Para aqueles que não se contentam em apenas ver as fotos disseminadas na internet, a edição em inglês do livro pode ser comprada aqui. Enquanto isso, mais algumas imagens:

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7 thoughts on “Take Ivy: A moda Ivy League das Universidades Americanas”

  1. Obrigado Babs. Se quiser acompanhar o blog, pode curtir no facebook que eu costumo postar fotos e informações que não coloco aqui.www.facebook.com/soqueriaterum

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