Shitamachi: Segundo dia no Japão em Asakusa, Sumida e Ueno

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Tóquio é moderna, associada a novas tecnologias, instalações hipermodernas e arranha-céus brilhantes.

O ritmo de Tóquio é de tirar o fôlego, mas sua eficiência também. Na minha opinião, nenhuma outra cidade deste tamanho funciona tão bem, nem consegue ser tão civilizada.

Mesmo com o desenvolvimento, áreas onde você pode experimentar a atmosfera antiga da metrópole, ainda podem ser encontrados na vasta cidade.

No segundo dia em Tóquio, circulamos por áreas que evocam o espírito de dias passados.

O tempo parece muito mais lento, oferecendo o sabor de uma Tóquio totalmente diferente.

Centro Histórico de Tóquio

Ao contrário do que acontece em muitas outras cidades, as localizações históricas não são bem definidas em Tóquio.

O Palácio Imperial e seus arredores são o marco óbvio, mas como a cidade foi palco de várias calamidades, ali você encontra apenas “pedaços” de história.

Não existe um centro histórico demarcado, e fragmentos antigos estão espalhados pela cidade.

Essas áreas são chamadas de “shitamachi”, e descreve bairros que foram o centro de Edo, e não acompanharam a rápida modernização do resto da cidade.

O que é Shitamachi?

“Shitamachi” é um termo japonês associado à cultura das pessoas comuns antes da Segunda Guerra Mundial. Significa “cidade baixa”, em oposição a Yamanote, que significa “cidade mais alta”.

Os menos favorecidos, viviam na parte baixa da cidade, região propensa a inundações. A cidade alta, abrigava com segurança os ricos e poderosos.

Sem prédios grandiosos. A mais pura tranquilidade em Sumida.

Tradicionalmente, tudo ao leste do Palácio Imperial é “Sitamachi”, e tudo a oeste, Yamanote. Com o tempo, esses limites claros deixaram de existir.

Hoje, a conotação cultural de Shitamachi é mais forte do que a geográfica. Essas diferenças abrangem fala, comunidade, comportamento, profissão e aparência.

De modo geral, Yamanote é distante e frio, rico e moderno, enquanto o povo Shitamachi é considerado honesto, franco e confiável.

É difícil para um turista perceber essas sutilezas, então a maneira mais fácil, apesar de simplista, de distinguir é visual.

Normalmente, uma área é chamada de Shitamachi quando satisfaz um conjunto de características:

  • muitos pequenos becos
  • muitas pequenas oficinas
  • muitos vasos de flores na rua ao lado da casa
  • muitos gatos vadios
  • ausência de cercas
  • ruas encaracoladas

Nesse nosso segundo dia em Tóquio, visitamos dois distritos com essas características, Taito e Sumida. Mais especificamente, Asakusa e Ueno.

Vamos lá?

Asakusa

Asakusa é o bairro antigo mais famoso de Tóquio. O templo Sensō-ji, considerado o mais velho da cidade, é uma armadilha para turistas de todo o mundo.

A área altamente lotada de forasteiros não representa a vida local. Mas, deve fazer parte do itinerário de qualquer um visitando Tóquio pela primeira vez. Por isso, fui com a Nati!

Fomos de trem (nem pense em dirigir em Tóquio), com a barriga forrada pelo café da manhã japonês do hotel, que é basicamente um almoço.

Começamos o dia no Centro de Informações Turísticas da Cultura de Asakusa. Ele fica ao lado da estação, e o deck de observação no 8o andar com Wi-Fi gratuito, oferece vista panorâmica e uma chance de calibrar o Google Maps.

Senso-ji Temple

A primeira parada foi Senso-ji, o templo mais popular e mais visitado de Tóquio. Acordamos cedo para evitar massa crítica, mas mesmo assim já estava muito cheio.

Segundo a lenda, no ano 628, dois irmãos foram pescar no rio Sumida e encontraram uma estátua da deusa da misericórdia, Kannon. Eles devolveram a estátua ao rio, mas a deusa continuou a assombrá-los.

O templo Senso-ji foi construído em homenagem a Kannon e concluído em 645. Infelizmente, a guerra destruiu a maioria dos seus edifícios!

Hoje em dia, assim como acontece em muitos outros lugares do Japão, o que vemos são reconstruções dos edifícios originais.

Unidas por um corte de cabelo

Os pontos principais deste belo templo incluem o Portão Hozomon, o salão principal do templo e um lindo pagode de cinco andares.

É minha segunda vez em Senso-ji e eu recomendo duas experiências:

  • junte-se às tradições e testemunhe o efeito purificador da fumaça antes de entrar no salão principal.
  • Sirva de “cobaias” para aulas de inglês dos pequenos estudantes que sempre estão com seus professores nos pontos turísticos, em busca de prática

Nakamise, Shin-Nakamise e Kappabashi

O Templo Senso-ji é cercado por ruas com lojas coloridas e lanchonetes.

As lojas vendem de tudo, desde as grandes e pequenas lembranças, até deliciosos petiscos e doces.

Adoro conferir! E pelo visto, nossa nova tradição é comprar imãs de geladeira. Esperamos colecionar de muitos países diferentes!

A oeste do recinto do templo Senso-ji, também há uma pequena rua cheia de locais para comer e beber, chamada Hoppy Street (também conhecida como Koenchi).

Lá, você pode sentar e desfrutar de uma cerveja ou um yakitori em um izakaya (pub em estilo japonês) . Izakayas estão em todo o lugar em Tóquio, mas sentar ao ar livre é bastante incomum.

ALMOÇAR: BON HANABI

Asakusa estava realmente muito cheio, então decidimos almoçar do outro lado do rio Sumida para conhecer um pouco do distrito.

Imediatamente, tudo mudou.

Caminhamos pelas ruas, sozinhos. Nenhum carro além do ocasional “caminhãozinho” fazendo uma entrega. Garagens abertas, bagunçadas, e moradores passeando com pequenos cachorros.

Caracoleamos pelas ruas do bairro até a fome chegar, e entramos em um restaurante que parecia agradar aos locais.

Era o discreto Bon Hanabi, um izakaya descontraído, meio moderno. Eu fui no porco, e a Nati no frango.

O almoço estava excelente e mais uma vez, o preço muito bom. Eu não entendi o cardápio, mas parece que no almoço eles oferecem versões japonesas do nosso “prato feito”a preços acessíveis para o público local.

Rolling Dub Trio

Agora, hora de confessar.

Eu calculei meticulosamente a hora de acordar, turistar, e almoçar. Tudo para sincronizar com o horário da loja Rolling Dub Trio, em Taito/Asakusa.

Estava bastante ansioso para ver de perto, mesmo ele não fabricando o meu tamanho!

Shop’s closed! =(

Infelizmente, não foi dessa vez.

Não sei se a loja estava fechada ou se o horário de funcionamento informado na internet errado, mas não tinha ninguém lá.

Fica para a próxima!

E assim, transformei minha visita uma das melhores marcas de bota no mundo em um passeio pelas lojinhas de muambinhas do bairro e a loja de departamento Asakusa Ekimise.

Tomar um Café no From Afar

Como eu não gastei horas do dia na loja de botas, resolvemos aproveitar o tempo economizado para relaxar um pouco antes de pegar o trem até Ueno, nosso próximo destino.

Paramos no From Afar, um café bem ao lado do Rio Sumida. Um pequeno refúgio quentinho com cheiro de café forte.

Que achado!

O edifício é um antigo armazém de madeira. O espaço é preenchido por madeira morna, tetos expostos e candeeiros suspensos. O interior é sereno, sem nenhum ruído além da trilha sonora baixinha, e fotos são proibidas.

O From Afar é exatamente o que você espera encontrar para descansar depois de um dia percorrendo as ruas de Tóquio.

Energizados, pegamos o metrô até a Ueno para a segunda metade do dia.

UENO

Ueno é famoso turisticamente pelo Parque Ueno, com o zoológico de Ueno e de vários museus.

No entanto, também é uma enorme área comercial. É um dos principais centros ferroviários dentro de Tóquio, semelhante a Shinjuku, Shibuya, Ikebukuro ou Otemachi.

A diferença é que tudo é um pouco mais datado em Ueno do que nesses outros lugares em Tóquio. É o espírito Shitamachi.

Os comércios tendem a estarem lá há mais tempo, as lojas de departamentos são menores e os prédios mais antigos. Para um fã de história e de velharia como eu, é realmente uma coisa boa.

Visitar uma loja em uma área de shitamachi é totalmente diferente de visitar uma, digamos, em Ginza.

Cada pequeno lugar tem sua própria personalidade, expressada vividamente pela equipe e pelos próprios proprietários.

Um sorriso acolhedor e calor humano são o tipo de hospitalidade característica nos bairros históricos de Tóquio.

O ar é cheio com o som dos donos, que anunciam suas mercadorias em megafones feitos com as mãos em concha. Com o riso de uma piada compartilhada entre funcionários e clientes, dois vizinhos parando para uma conversa rápida em frente a uma loja.

A atmosfera é vibrante e calorosa e, de uma forma maravilhosamente familiar, você se sente em casa. Acho que até os japoneses sentem a mudança de ritmo, e mais conexão humana.

Foi essa parte de Ueno que nós visitamos. E o lugar perfeito para começar é Ameyoko!

Ameya-Yokochō (Ameyoko)

Ameyoko é uma longa rua comercial ao longo dos trilhos ferroviários perto da Estação Ueno, conhecida como um dos principais mercados negros durante a Segunda Guerra Mundial. O nome viria de “América”, porque causa dos produtos americanos que eram vendidos.

Outra teoria coloca a etimologia da rua nas muitas lojas de doces que eram populares aqui nos primeiros anos do pós-guerra (ameya significa loja de doces).

Se analisar a situação atual, eu acredito muito na primeira versão. Em Ameyoko, você encontra um pouco de cada “versão” dos Estados Unidos que existe nos cinemas!

Além desse tipo de produto “USA”, o mercado também é lotado de produtos frescos e deliciosos, cosméticos, doces e até roupas muito baratas.

Restaurantes e lanchonetes seguem um conceito similar e oferecem excelente comida e lanches, apesar de não estarem tão adaptados para conversar em outra língua. Não seja tímido!

Há algo fascinante em Ameyoko que eu ainda não comentei, e admito que o real motivo para todo esse roteiro.

Você não vai acreditar que um local tão descentralizado é a meca de amekaji (estilo EUA) e denim. Mas se você quiser comprar selvedge denim, não vintage, você não tem muita escolha: você tem que ir para Ameyoko!

E a maior dessas lojas, é…

Hinoya

A Hinoya é especializada em moda casual americana ou “Amekaji”. Isso envolve camisas havaianas, jeans e jaquetas, entre outros itens.

Conhecida como “a” loja de denim em Ueno, a Hinoya também tem sua própria marca, a Burgus + & Co., e vende outras marcas japonesas, como a Momotaro Jeans, Sugar Cane, Warehouse, Iron Heart, Pure Blue Japan e Buzz Rickson.

Tudo por aqui é menos ambicioso do que as lojas maravilhosamente decoradas que os japoneses são especialistas em criar. São produtos empilhados em cima de outros produtos, pendurados por toda a loja e na fachada, em araras na rua para todos verem.

A loja irmã fica logo em frente. A Sun House foge um pouco do visual vintage puro e trabalha com outras marcas contemporâneas com inspiração Amekaji, como Engineered Garments, Junya Watanabe, Visvim e Porter.

O bairro tem muitas outras lojas legais, mas a que eu preciso citar para finalizar esse passeio é a Amekaya.

Amekaya

A Amekaya é outra loja imprescindível de visitar para qualquer leitor desse blog que um dia visite o Japão.

Assim como a Hinoya, ela trabalha dentro dos limites do estilo “Americano”, ou “Amekaji”, como os japoneses chamam.

O primeiro andar é todo preenchido por produtos da Toy’s McCoys. Até ond eeu sei, é uma marca fundada por alguns dos fundadores da Real McCoys que se separaram há anos atrás.

A Toys é especializada em reproduções militares, com jaquetas de couro incríveis. Eles também tem os direitos para produzir a linha “Steve McQueen”, com réplicas do filme The Great Escape.

A diferença para a Hinoya, que também tem os produtos militares feitos pela Buzz Rickson, está no segundo andar.

Na Hinoya você encontra os jeans acompanhados de peças militares e camisas aloha no verão. Aqui, o foco é mais no campo e no workwear vintage. Um excelente exemplo é a jaqueta em beach cloth abaixo, ou o canto de botas Wolverine, White’s e Wesco escondido atrás do simpático vendedor que nos acompanhou.

Exaustos após um dia que começou relaxante e se tornou intenso graças ao meu hábito de visitar um monte de lojas para ficar conversando com os outros e olhar um monte de coisas que eu não posso comprar, resolvemos dar um pulo em uma loja de conveniências e voltar para o hotel mesmo.

Refeição de loja de conveniência pode soar estranho, mas as opções que você encontra nas lojinhas do Japão são uma atração extra. É um fenômeno!!!

Encerro o segundo dia por aqui, com uma refeição pronta e alguns Onigiris.

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Lucas Azevedo
Escrito por Lucas Azevedo
Apaixonado por experiência do cliente, varejo e produtos. Criei o Só Queria Ter Um para compartilhar minhas experiências com botas, raw denim e vintage!