Bandana Masculina: Dicas de como usar e onde comprar

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Mais por necessidade do que por escolha, as bandanas entraram para a moda pandêmica na forma de máscaras faciais improvisadas ou para segurar cabelos descontrolados. Apenas mais uma reviravolta surpreendente na longa história deste humilde quadrado de algodão.

Sempre que ela aparece em um filme ou foto antiga, todo mundo acha legal. Mas, e ná hora de usar? Como todo bom acessório, o que a bandana nos oferece é a oportunidade de nos divertir, seja com estampas, cortes, ou jeitos diferentes de usar para expressar originalidade e a imagem que temos de nós mesmos.

No entanto, também como qualquer bom acessório, costuma dar um nó na cabeça dos homens, já que originalidade não é algo tão aceito na moda masculina. No post de hoje, eu vou compartilhar um pouquinho sobre ela, contar um pouco sobre como venho usando e também algumas sugestões de onde encontrar!

De onde veio a bandana?

“Cotton square with Florals, Wood block printing and handpainting on cotton, India by 1795”

De acordo com o dicionário Merriam-Webster, a palavra bandana foi utilizada pela primeira vez em 1741 para se referir a um lenço com padrões coloridos. Ela vem do hindi e do urdu bāṅdhnū, que significa – mais ou menos – tingimento pelo método tie-dye.

A história deste acessório pode ser rastreada até o Sul da Ásia e Oriente Médio no final do século XVII. De lá, a bandana foi trazida para o ocidente pela British East India Company. As estampas “exóticas” cresceram em popularidade entre os habitantes ocidentais e existem exemplares dos chamadas “Indiennes” de algodão datados de 1640.

Não demorou para que bandanas começassem a ser produzidas na Europa e a Escócia, por ser um centro industrial têxtil, foi um dos principais locais de produção. Pelo lado do velho continente, temos até hoje a bandana sendo fortemente associada a imagem do pirada da era das navegações ou vista como um acessório importante na imagem da cultura Romani, na forma de lenços de cabelo ou pescoço.

Foto do livro “As gypsies wander, being an account of life with the gypsies in England, Provence, Spain, Turkey & North Africa” por Juliette de Bairacli

No final dos anos 1700, Martha Washington encomendou uma bandana comemorativa com a imagem do marido celebrando sua atuação como comandante do Exército dos Estados Unidos. Ao fazê-lo, acabou popularizando o uso da bandana como veículo de propaganda. Hoje, bandanas feitas para candidatos políticos do passado são altamente colecionáveis!

A competição no mercado de lenços se tornou feroz no século XIX a medida que os padrões de higiene e comportamento começaram a mudar com a revolução industrial. Grupos sociais se identificavam através de apertos de mão e lenços secretos, não haviam antibióticos e como a energia era a base do carvão a qualidade do ar nas áreas urbanas era terrível. Com a migração para o oeste, as bandanas se tornaram uma ferramenta barata e versátil para proteção do sol, frio e poeira para cowboys, mineiros e ferroviários.

A maioria das bandanas desse período foram tingidas com corantes Turkey Red e importadas da Escócia. Além do vermelho, o índigo não natural também era bastante popular. Os tamanhos padrão naquela época eram 18 polegadas ou 20 polegadas pois eram bandanas de bolso, que eram frequentemente usadas por cowboys, ferroviários e quase todos os trabalhadores.

O cinema e a música reinventaram o oeste americano a partir da década 1930 (ou pouco antes), muitas vezes retratando uma realidade romantizada. Nos anos 40/50, o Cowboy começou a se tornar um herói icônico na imaginação popular e teve um profundo efeito cultural. Uma das atividades mais populares entre as famílias dos Estados Unidos, principalmente da costa leste, era visitar os chamadas “dude ranches” para experimentar como era a vida em um rancho. Muitas marcas começaram a explorar a imagem do autêntico cowboy e algumas bandanas muito legais desta época seguem a versão romantizada da vida de um vaqueiro, com designs leves e divertidos.

Além do velho-oeste, a bandana também tem uma forte assossiação com a classe trabalhadora. Em 1900, já era comum usar “redneck” para se referir negativamente a moradores pobres das áreas rurais norte americanas que tinham os pescoços queimados pelo trabalho ao ar livre. Em 1910, estes grupos começaram a usar a expressão como forma de protesto, ao ponto de usar lenços vermelhos em comícios e manifestações. O sindicato dos mineradores de carvão americanos também utilizou bandanas vermelhas como forma de mostrar solidariedade aos seus colegas rurais durante as décadas de 1920 e 1930.

A maioria das bandanas do início do século XX até mais ou menos a década de 1960 tinha três lados com bainha à máquina e um lado com a borda original selvedge do tecido, uma maneira de aumentar o rendimento do material. As estampas normalmente eram feitas pelo método discharge printing, que remove a cor do tecido para formar os desenhos brancos. O tamanho mais clássico tem cerca de 23 x 23 polegadas (58 cm x 58 cm), que permite usar a bandana de várias formas. Lenço de pescoço, marmita, na cabeça, como mascara, lenço de bolso, guardanapo, topoia…

A imagem da bandana vermelha também teve grande destaque durante a Segunda Guerra Mundial, quando as mulheres começaram a trabalhar nas fábricas e as usaram para amarrar os cabelos. Estas imagens fortes foram tornando a bandana um acessório icônico que se tornou um símbolo para diferentes subculturas., como gangues de motociclistas, códigos de sinalização gay dos anos 1970 e as gangues de rua LA Crips (azul) e Bloods (vermelha).

Bandanas modernas costumam ser estampadas em silk-screen e ser menores, além de ter a bainha nos quatro lados já que tecidos atuais são feitos em teares largos e possuem bordas desfiadas. Nos piores casos, as bainhas são feitas na overlock e o tecido utilizado é polialgodão. Existem algumas raras exceções que são réplicas ou interpretações vintage disponíveis no mercado com uma das bordas selvedge, mais como uma curiosidade caso você seja um colecionador ou goste destes pequenos detalhes à moda antiga.

Como seria de se esperar de um país que aprecia jeans e outros artigos americanos, os japoneses também são obcecados com a bandana. Bons exemplos são as marcas Visvim e KAPITAL, com suas bandanas e jaquetas de bandana. Existe até um museu no Japão dedicado à história da antiga marca Elephant Brand, localizado próximo à loja Kapital em Kojima, Okayama.

Viu como a jornada é longa e cheia de novidades?.

Como usar bandanas

Bandanas são interessantes por muitos motivos. Baratas, despretensiosas, funcionais, versáteis e, ainda assim, subversivamente extravagantes. Eles podem sinalizar vários tipos de subtexto cultural, dependendo de quem usa. Bandanas também são ótimas para colecionar, porque não custam muito e não ocupam muito espaço.

Não sou um colecionador de bandanas que se encanta com os mínimos pequenos detalhes, mas gosto de uma boa bandana vintage por causa da suavidade e cor delicadamente desbotada. Acho que usá-las é muito interessante, embora eu usasse exclusivamente no pescoço até que a minha cabeleira pandêmica precisou ser domesticada.

Não existe muito segredo para usar.

Você tem a opção de usar a bandana como uma faixa na cabeça a lá Bruce Springsteen & The E. Street Band. Para isso, é só dobrar a bandana na diagonal e depois dobrar novamente até conseguir uma faixa. Depois é só amarrar as duas pontas atrás. Muito simples porém não é a minha favorita. Agora que estou com o cabelo maior, utilizo quando preciso sair para resolver alguma coisa rapidamente ou quando vou me movimentar dentro de casa e não quero esquentar a cabeça com um boné.

foto da loja Standard & Strange

Outra maneira de usar a bandana na cabeça é como um pirata, cobrindo toda a cabeça. Particularmente, não gosto. Mas é possível ficar legal em algumas pessoas, com estilos e contextos bem específicos que não consigo pensar no momento..

A outra maneira simples, e que eu acho mais interessante, é usar a bandana no pescoço. A ideia óbvia é estilo cowboy, com a bandana dividida ao meio na diagonal e as pontas amarradas atrás. Essa maneira de amarrar possibilitava aos cowboys cobrir o rosto rapidamente para se proteger da poeira do deserto e hoje possibilita você cobrir o rosto com uma máscara improvisada para evitar contaminação.

foto da loja Standard & Strange

Um jeito de vestir a bandana no pescoço sem se caracterizar tanto quanto o exemplo do cowboy é enrolar a bandana e amarrar com um simples. Você pode deixar o nó para frente ou para trás, e as pontas por dentro ou por fora do que estiver vestindo.

Bandanas menores são melhores caos você queira amarrar para trás, para não ficar com excesso de tecido pendurado. Caso prefira o nó na frente, tanto faz!

Se preferir, ao invés de dar o nó, pode utilizar um anel pequeno ou então um prendedor próprio para bandanas. As imagens abaixo ilustram estes últimos exemplos com bandanas de diferentes tamanhos:

foto por @banditphotographer
Foto do Instagram @illcutz
Foto do instagram @jukkapalomaki
foto do instagram @pulpdenim
Foto do Instagram @suwajin_88
Foto Clutch Magazine
Foto Clutch Magazine
Foto Clutch Magazine

E para finalizar… você também pode usar a bandana no seu bolso. Pode deixar ela aparecendo ou só enfiar no bolso mesmo para usar quando precisar enxugar o suor do rosto ou secar as mãos. Não precisa ter dó de usar e desbotar o tecido para criar a sua própria “bandana vintage”.

Eu prefiro bandanas em tecidos com uma certa textura, como o algodão, linho ou a seda crua. São tecidos com aspecto mais rústico, que desbotam, e por isso mais fáceis de vestir com as roupas casuais do dia-a-dia, como camisetas de algodão, jeans, etc. Na minha opinião ficam melhores até mesmo com alfaiataria casual, que normalmente também tem peças em tecidos com mais textura:

Os melhores exemplos, na minha opinião, são os que fazem a bandana parecer uma extensão muito natural das roupas e não aqueles que onde ela parece estar solta, fora de contexto. Pense nela como como qualquer outro acessório, e tente combinar cores ou criar um contraste interessante para chamar mais atenção para o pescoço e o seu rosto.

Como eu disse, é algo bem simples e por isso prefiro evitar muitos comentários. Acho que as fotos servem como boa referência! Mais importante, evite usar esse tipo de acessório se estiver inseguro. É muito fácil parecer que está “trying too hard”. Na dúvida, tente reduzir a quantidade de acessórios e simplificar ao máximo a sua roupa, já que a bandana chama bastante atenção. Com o tempo, já mais acostumado, comece a experimentar ideias mais exageradas.

Onde Comprar

Pessoal, bandana é um ótimo acessório para comprar vintage. Elas são baratas e você acha aos montes por aí. Bandanas mais antigas tem estampas super interessantes e a produção não era tão em massa. Por isso, o tecido costuma não ter uma coloração tão “uniforme” e as estampas tem um toque menos sofisticado. Se você curte vintage, mas acha que roupas antigas legais são caras, tá aí um bom jeito de adquirir um produto do passado que você pode usar

A primeira vez que eu vi um monte de bandana velha junta foi quando visitei o armazém da Santa Fé Vintage (tem até uma foto delas no meu post sobre o lugar). Infelizmente o dono, Scott Corey, faleceu no ano passado, mas o showroom e loja continuam de pé e lá você consegue adquirir (pelo instagram ou online), lindas bandanas vintage. Como é algo bem leve e pequeno, pode ser até enviada em um envelope como carta. Outro lugar para comprar bandanas vintage é a Front General Store, Broadway & Sons ou simplesmente buscar no Etsy (uma marca boa de buscar é a Elephant Brand)!

Caso você queira algo novo, com detalhes vintage, eu recomendo a Two Ears Brand ou Mister Freedom, mas são um pouco mais caras. A Kapital é uma marca japonesa que investe bastante na criação de estampas incríveis. São as minhas favoritas nesse quesito.

Bandana da campanha presidencial do Dwight D. Eisenhower
Bandana Kapital “inspirada” pelo design da Vote for Ike

Eu também gosto dessas bandanas de seda crua do Eco Raw Studio. Este tipo de tecido é algo que raramente vemos aqui no Brasil. A empresa é um pequeno estúdio que pertence e é operado por Sonja Thams. Ela faz todo o tingimento com matéria prima natural (plantas, folhas e raízes), resultando em belas cores. As bandanas terracota e cinza combinam bem com roupas estilo workwear.

Eu dei uma procurada em marcas nacionais mas encontrei apenas bandanas que misturam algodão e poliéster. Prefiro evitar, já que é algo que vou usar na cabeça ou no pescoço. Se o que você quer é o clássico design paisley, o Mercado Livre tem umas de algodão bem baratinhas. Como eu disse, bandanas vintage são super acessíveis e tem estampas muito variadas e criativas, para todos os gostos. Você ainda vai estar reaproveitando!

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