Jaqueta Aviador Masculina: Todo sobre os uniformes das Forças Aéreas dos Estados Unidos

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É incrível pensar em como a moda masculina é influenciada por uniformes de trabalho e roupas puramente funcionais. A maior parte do considerado “estiloso” hoje, não começou “na moda”. A calça jeans, as jaquetas de couro, camuflagem, botas de trabalho, calças chino e muitas outras coisas passaram por muito chão antes de subir na passarela.

Um excelente exemplo desse fenômeno são as jaqueta aviador das Forças Aéreas dos Estados Unidos. Muitas silhuetas clássicas são instantaneamente reconhecíveis e encontraram muitos armários dispostos a acolhe-las para uso no dia-a-dia. É claro que que nem sempre foi esse o caso.

A Jaqueta Aviador e a Moda

Em setembro de 1917, a “diretoria para roupas de vôo” foi estabelecida pelo Exército dos EUA e com a tarefa de desenvolver e distribuir jaquetas de aviação pesada. Estas eram um pouco diferentes das jaquetas da Marinha dos EUA que na época eram distribuídas entre a Marinha e o Corpo de Fuzileiros Navais. A medida que a aviação foi evoluindo, as jaquetas foram mehorando para aguentar condições cada vez mais adversas e cockpits modernos.

Muitas dessas jaquetas, principalmente as mais antigas, aposentadas da aviação militar, se tornaram clássicos no guarda roupa masculino. Os motivos são vários, entre eles a praticidade e o utilitarismo dos uniformes. No período após a Segunda Guerra, muitos jovens veteranos vestiam seus uniformes e inspiraram a todos. Outro fator que contribuiu para a popularidade do “militarismo” na moda, foram os movimentos anti-guerra e as revoltas jovens que surgiu em todo o mundo na década de 1960.

Esses jovens, apoiados por celebridades como Country Joe em Woodstock, John Lennon no Madison Square Guarden e Jane Fonda em Free the Army subverteram as jaquetas militares. O garoto da contracultura coberto em equipamentos do Exército podia enfrentar a máquina belicista que dotava a jaqueta de poder, e ele podia honrar os garotos destinados a morrer, e também compor o visual boêmio. A jaqueta virou “cool”.

Nos ombros de um hippie em 1968, o verde do exército era uma clara contradição: o usuário estava em guerra sartorial contra o poder. Era legal, mas também um símbolo. Já muito batida em 2018, uma jaqueta militar ainda comunica um certo conflito, mas houve uma mudança de paradigma. É improvável que uma pessoa vestindo uma jaqueta militar Saint Laurent amarre fitas amarelas em árvores.

A jaqueta aviador é prática, e por isso tem espaço no guarda-roupa de quem aprecia os clássicos. Sempre mudando sua forma simbólica, agora também pertence a uma cultura de consumo completamente desconectada do complexo militar-industrial e o papel ocupado pelos que precisam vestir esses trajes.

Acredito que a maioria dos veteranos e militares não se importa de ver seus uniformes (ou ex-uniformes) nas ruas. Talvez se incomodem com o uso de insígnias e patentes de mérito, mas o uso civil de uma jaqueta aviador é amplamente aceito. Eu gosto de usar da forma menos literal possível (tento usar apenas uma peça militar por vez). Afinal, vestir uma jaqueta do exército sem nem pensar nas consequências de vestir o artigo em seu verdadeiro propósito é a definição de luxo.

Mas chega de papo. Existem diversos modelos que ao longo da história fizeram parte do uniforme das Forças Aéreas do Exército dos Estados Unidos (USAAF) e da Força Aérea dos Estados Unidos (USAF). Essa post nada mais é do que uma linha do tempo caso você queira conhecer a evolução da jaqueta aviador, com seus belos designs.

Essa é a árvore genealógica com os modelos mais marcantes, sendo que tomei a liberdade de remover variações muito pontuais.

O que são jaquetas “oficiais”?

A expressão “Mil-Spec” é a abreviação de “especificação militar”. Para qualquer equipamento ser “Mil-Spec”, todos seus aspectos precisam atender aos critérios definidos pelos militares. Esse manual permite que diferentes fornecedores produzam o mesmo produto, seguindo as dimensões adequadas, os materiais e cores corretos, os testes necessários, etc.

Todos os componentes de uma jaqueta de aviador das forças aéreas americanas são avaliados e certificados pelo governo para que seja “Mil-Spec”. No caso dos produtos comercializados, a maioria das marcas se atém a replicar os detalhes mais marcantes e adaptar as dimensões para uso civil.

Algumas marcas vão um pouco além, e procuram reproduzir o máximo de detalhes contidos em um manual. Umas, são literais até o corte. Outras, seguem cores, aviamentos, costuras e o estilo, adaptando a modelagem. Se esssa proposta te interessa, recomendo essa leitura sobre as “repro brands”.

A evolução das Jaquetas das Forças Aéreas do Exército dos Estados Unidos e Força Aérea dos Estados Unidos (USAAF/USAF)

Nas espeficicações militares as jaquetas costumam ter nomes como “Jacket; Flying; Heavy; Type N-2”, ou “Jacket; Flying; Intermediate Type B-15”.

Para simplificar, eu resolvi separar em três categorias: As jaquetas leves, que nós podemos facilmente usar nos dias frios de outono e inverno. As jaquetas intermediárias, boas para nossos dias mais frios de inverno. E por último, as jaquetas pesadas, aquelas para inverno de verdade!

Jaquetas Leves

As jaquetas leves são usadas em temperaturas entre 10°C e 30°C. O design não mudou muito ao longo dos anos.

A primeira alteração marcante foi a troca dos botões pelo zíper, na transição da Jaqueta Bomber A-1 para a Jaqueta Bomber A-2.

O posicionamento dos bolsos frontais mudou no final da década de 40, e essa configuração mais alta e inclinada passou a ser o padrão em quase todas as jaquetas de voô, assim como os pequenos bolsos na manga esquerda.

Desde então, as jaquetas tem alternado golas viradas e golas de tricô, mantendo sempre a faixa elástica nos punhos e na cintura.

Type A-1 AN6501 (1927)

Type A-2 (1931)

Type L-2A e L-2B (1945 e 1952)

CWU-36/P 1973

jaqueta aviador cwu 36p

Jaquetas Intermediárias

Essas jaquetas são feitas para temperatura entre -10°C e 10°C. A evolução é parecida com as jaquetas leves, passando do couro para o algodão para o nylon.

Essas mudanças foram importantes: Em tempos de guerra a produção em couro se mostrou inviável. O algodão, primeiro substituto, não serviu bem nas altitudes cada vez mais altas, com temperaturas cada vez mais frias. a bem nas temperaturas cada vez mais frias. A mudança foi rápida, com versões consecutivas da B-15 sofrendo alteração atrás de alteração para melhor equipar os pilotos.

Type B-6 (1936)

B-10 (1843)

B-15 (1944)

B-15A (1944)

B-15B (1945)

B-15C (1950)

B-15D (1953)

MA-1 (1955)

CWU-45/P (1973)

Jaquetas Pesadas

A série N são parkas curtas e pesadas para temperatura realmente frias, entre -30°C e -10°C. Essas jaquetas eram normalmente designadas para tripulações responsáveis por transporte de tropas, helicópteros, e bombardeiros estratégicos.

As N-3 são uma série de parkas longas conhecidas como as “Snorkel Parka”, porque o gorro pode ser fechado até sobrar uma pequena abertura. Entre a B-9 e a N-3 existiu a B-11, mas é uma jaqueta muito pouco encontrada.

B-2 (1926)

B-3 (1934)

B-7 (1941)

B-9 (1943)

 N-2 (1945)

N-2A (Início 1950)

N-2B (Final 1950)

N-3 (1945)

É isso! Essa é a linha do tempo das jaquetas aviador. Os modelos mais antigos já viraram base para a maioria das jaquetas que vestimos hoje e combinam perfeitamente com qualquer estilo.

Sempre que o frio chega eu tiro as minhas jaquetas militares do guarda-roupa. Gruda lá no Insta pra ter algumas ideias de como usar e onde comprar:

Se você curtiu a evolução do design, compartilha com os amigos fãs de aviação! E é claro, deixa aí nos comentários qual a sua favorita!

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Lucas Azevedo
Escrito por Lucas Azevedo