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Calçados Passo a Passo

Como é Feito Um Sapato: Conheça os Diferentes Tipos de Construção

 

Consumidores mais informados e marcas mais transparentes. Vendedores e veículos de informação conscientes dos custo e valores, repassando benefícios com explicações melhores do que “é tendência” ou “produto com qualidade top”. Informação gera interesse, que gera demanda por algo melhor. Valorizar o que é bem feito e elevar o nível dos produtos feitos no Brasil. A gente pode não comprar, mas é ótimo ter com o que comparar na hora de passar o cartão. Por isso eu acho legal saber… como é feita a sua bota? Sabe porque um sapato é melhor do que o outro? Um dos fatores mais importantes é a construção, e é sobre isto que vou falar.

A Construção é a Espinha Dorsal da Qualidade do Sapato

construcao goodyear weltedA regra geral para botas e sapatos masculinos é: você paga por aquilo que ele vale. O sapato protege os nossos pés, faz o nosso contato com o solo; e a não ser que você caia de boca, é a primeira coisa a conectar com novos territórios e anunciar a sua chegada. Ao contrário dos calçados femininos, é relação entre preço e qualidade dos sapatos masculinos é bem mais próxima.

Verdade… existem aquelas marcas chiques que são mais nome, mas nas sapatarias o preço quase sempre reflete a qualidade. O primeiro fator que influencia na nossa visão de qualidade é a estética. Ela é importantíssima, mas subjetiva. Apresentação? Embalagem? São aqueles atributos que nos chamam atenção, abrem portas para um possível romance, ou nos colocam perto de uma mala sem alça. Impressionam quando olhamos… depois de tomar uma ou duas… mas sem conteúdo (ou pelo menos um excelente design de produto), não conseguem sustentar mais do que uma noitada.

Algo m pouco mais objetivo: o nível de um calçado depende de como o visual se adequa ao propósito, de cada pequeno componente utilizado na montagem, e de outro fator muito importante, mas pouco conhecido: a construção. A construção pega o cabedal do sapato (parte superior, que cobre o pé), e fecha ele com a sola, unindo os dois. No fim da jornada, aquele logo vintage na bonita não nos salva de uma bota sem uma boa construção.

Os sapatos e botas clássicos feitos em fábricas podem ser divididos em três construções mais populares, em ordem de complexidade e durabilidade: a apenas colada, a blaqueada, e a goodyear welted. Neste post vou explicar o que aprendi sobre cada uma, em comparação com a que considero a melhor entre elas.

O que é “Welt”?

Welt” é a palavra inglês para “vira”, que é uma tira de couro (as melhores) costurada à parte superior da sola e à palmilha de montagem. Quando um sapato é “welted”, ele é construido usando a vira como ponto de fixação para o solado. Aqui no Brasil isso se chama palmilhado.

Um dos jeitos de fabricar calçados palmilhados utilizando uma máquina se chama “Goodyear Welted”, por utilizar a “goodyear welting machine”. O nome vem de Charles Goodyear Jr., o inventor da primeira máquina que possibilitou automatizar a produção de sapatos palmilhados. Hoje, esta é considerada uma das maneiras mais nobre da fabricação, produzindo um sapato robusto e resistênte.

Duas "welts" (viras). A da esquerda tem cor diferente da sola, e a da direita tem a mesma cor da sola.

Duas “welts” (viras). A da esquerda tem cor diferente da sola, e a da direita tem a mesma cor da sola.

 

Como é feito o sapato com construção Goodyear Welted?

construcao goodyear welted 2

Utilizando a imagem acima como referência, a construção Goodyear é feita basicamente da seguinte maneira:

– Primeiro, uma máquina faz o trajeto (normalmente de 270º) costurando a vira (welt) ao cabedal (upper+lining) e palmilha de montagem (insole).

– O espaço criado, pela necessidade da inclusão de um ponto de apoio para a máquina, é preenchido com cortiça (“cork filling” – que se molda ao pé com o tempo). Normalmente, bem onde ficaria o meio do pé, fica um pedaço de aço (ou outro material) chamado “alma” que serve para para suporte.

– Em seguida, a sola e a entressola são coladas ao cabedal (mid-sole + outsole) e costuradas à vira por uma segunda máquina.

– Essa segunda costura pode ficar aparente do lado de fora da sola, o mais normal, ou pode ficar escondida. Para isso, ela precisa ser feita por debaixo de corte na sola, que depois é fechado. Este é um processo extra que requer um pouco mais de trabalho.

O resultado é um sapato equilibrado, robusto, feito para durar, e extremamente confortável.

Abaixo, um vídeo explicativo com as duas operações:

Qual a vantagem de um sapato Goodyear Welted?

Estas máquinas que foram inventada em 1872 permitem a fabricação de sapatos seguindo basicamente o mesmo princípio da fabricação manual de calçados nobres. No entanto, quando o sapato é feito à mão, o sapato é moldado manualmente e todas as costuras que fixam a sola são feitas pelas linhas e agulhas dos artesão. Os melhores sapatos “goodyear welted” são tão resistentes quanto os com “welt” feita à mão, e muito mais resistentes do que calçados manuais sem costura ou apenas blaqueados (explicarei mais a seguir).

O “goodyear welting” também simplifica muito a troca da sola caso ela se desgaste. Primeiro, quando um bom sapato usa camadas de couro na sola e no salto, ao invés de blocos de recouro ou outro material, o sapateiro pode simplesmente remover a camada desgastada e substituí-la sem precisar refazer todo o componente. No caso da sola, basta descosturar a sola da vira, colocar uma nova, e costurá-la novamente. O bom sapateiro consegue até mesmo usar a máquina para passar a linha pelos mesmos pontos da vira. Tudo sem precisar abrir o sapato…

Reparem novamente no desenho que o cabedal e a estrutura do sapato ficam intactos porque não estão diretamente conectados à sola. Assim, o sapato não sofre nenhuma mudança na estrutura e fica como novo. Mas atenção, no Brasil não é fácil trocar uma sola de um sapato feito desta maneira pois quase nenhum sapateiro tem o maquinário ou conhecimento necessário.

Neste vídeo o sapateiro mostra o passo a passo da troca de sola de um sapato goodyear welted:

Outra coisa: O fato de não haver nenhuma costura que vai do chão até a parte interna do sapato (reparem novamente no diagrama que nem a primeira e nem a segunda a costura perfuram a parte interior) também deixa a bota ou sapato relativamente impermeável, já que a água do solo não tem por onde entrar. Um sapato blaqueado, por exemplo, tem uma costura que abre um canal que vai da sola até a palmilha, por onde a água pode passar. A seguir, um pouco sobre sapatos blaqueados.

O que é um sapato Blaqueado?

Existem outras maneiras de se construir um sapato, mas a seguir vou falar um pouco da construção adesiva e blaqueada, mais comuns em sapatos e botas tradicionais e os principais métodos utlizados nos sapatos feitos no Brasil.

A construção adesiva é simples. Ela une a sola ao cabedal só com cola e muitas vezes é sinônimo de sapatos não duráveis, com pouco suporte e estrutura fraca. Quando a fábrica economiza em um aspecto, ela geralmente economiza  nos outros. Ou seja, se decidiu economizar na construção, então provavelmente também economizou nos componentes. Não quer dizer que a sola vai soltar, pois existem colas muito fortes e confiáveis, mas a durabilidade não se compara. Existem vantagens, porque custo é menor… Por mais que a gente queira o melhor, precisamos adequar o consumo ao nosso bolso. Ah, alguns produtos também precisam ser feitos sem costura por questões tecnológicas e de propósito, como as botas de aventuras.

O blaqueamento é outro método super popular no mundo todo e envolve uma costura na sola. Essa construção é feita por uma máquina inventada um pouco antes da Goodyear Machine, pelo também americano Lyman Reed Blake. Ela é considerada a primeira máquina a automatizar a produção de sapatos. Até então, todos os sapatos eram feitos manualmente, quase sempre sob medida. Essa mudança ocorreu por volta de 1850.

sapatos da richard e outras porcarias

Sapatos blaqueados. No sentido horário: Sapato Craft, bota Richards e sapato Richards.

Como é feito um sapato blaqueado?

O blaqueamento consiste em uma única costura que vai desde o lado de fora da sola até dentro do sapato, perfurando todas as camadas até chegar na palmilha de montagem. Assim como a Goodyear, a costura pode ficar aparente na sola ou escondida se for feita por debaixo de um canal. O diagrâma abaixo ilustra a técnica:

Diagrama da construção Blaqueada ou Blake Stitched

A costura entra direto pela sola. Há menos material entre o pé e o chão.

O sapato blaqueado é menos resistente e durável do que um sapato goodyear, mas tem lá as suas vantagens. Como tem menos componentes, ele é mais leve e mais flexível, demorando menos tempo para ser amaciado. Por não ter a vira, ele pode ter a sola cortada bem mais fina e próxima ao sapato na lateral (apesar sapateiros mestres também serem capazes de cortar a vira bem próxima ao cabedal em um sapato goodyear ou palmilhado). Acima de tudo eles são mais baratos de se produzir, já que usam menos material e passam por menos etapas na linha de fabricação.

Dois sapatos "goodyear welted". O sapato tem a vira e sola cortadas bem próximas ao cabedal, que fica praticamente sobreposto. A bota tem uma vira em "L" bem maior.

Comparação da vira em dois calçados “goodyear welted”. O sapato na direita tem a vira cortada bem rente ao cabedal, que fica praticamente sobreposto ao solado. A bota na esquerda, mais rústica, tem uma vira bem maior. O blaqueamento permite um corte ainda mais rente.

A sola de um sapato blaqueado também pode ser trocada, mas existe o risco dele sair do formato já que toda a estrutura está presa a ela. Além disso, como a máquina perfura todas as camadas, pode ser preciso trocar a palmilha e outros componentes internos. Muitas vezes os reparadores não tem acesso a componentes com a mesma qualidade que os fabricantes, e por isso o sapato pode voltar pior do que era. No Brasil quase todo sapateiro de esquina faz esse serviço. Alguns vão só colar e pular a costura blaqueada, mas todos podem trocar a sua sola sem problemas.

Abaixo, a troca da sola de um sapato blaqueado. Notem que apesar de fácil, ele precisa praticamente desmontar todo o sapato:

Qual é melhor?

Existem excelentes sapatos feitos das duas maneiras, mas como o blaqueamento é a fabricação mais simples e preferida de quem quer cortar custos, mas ainda ter algum tipo de costura, ele acaba ficando com um estigma negativo. É claro que um sapato blaqueado feito com bom couro e bons componentes também é um excelente sapato, mas em termos de durabilidade, nunca será tão durável quanto um “goodyear welted” feito com a mesma matéria prima. Como a construção goodyear é mais cara e complicada, não faz sentido para uma marca utilizá-la para finalizar um sapato feito com papelão. Por isso, costuma ser usada apenas em sapatos e botas mais nobres, feitas com componentes superiores à média.

Detalhe da sola de um sapato goodyear welted

Em cima esquerda: Sola blaqueada. A costura é mais interna, para passar por dentro do sapato. Em cima direita: Sola Goodyear Welted, a costura é mais próxima da borda, pois ela prende a sola e a vira. Em baixo esquerda: Duas solas Goodyear Welted, uma delas com a costura escondida. O mesmo pode ser feito em um sapato blaqueado. Em baixo na direita: Bota Goodyear Welted com solado de borracha militar.

 

 

Como são feitos os sapatos masculinos no Brasil?

Nunca vi um sapato goodyear welted feito no Brasil, mas já vi algumas botas country atuais e botas mais antigas da década de 90. Já ouvi falar de palmilhados manuais, mas nunca vi pessoalmente. É difícil até mesmo encontrar importados por aqui, pois os italianos constituem a grande maioria das importações nas lojas caras, e eles costumam blaquear. Isto dificulta a troca da sola para quem comprou um sapato goodyear lá fora, o que é uma pena. Os palmilhados, sejam eles goodyear, à mão ou alguma outra variação, não são tão comuns nem lá fora. Relativamente, são poucas as fábricas trabalhando assim.

Eu até comecei a reparar em algumas viras nas vitrines, agora que botas e sapatos inglêses estão em evidência, e pensei que alguém estava fabricando com este método. Cheguei a conversar por telefone com algumas das melhores fábricas de calçados nacionais, tentando descobrir, e todas disseram que não posuem o maquinário em atividade e nem mesmo a mão de obra necessária. Me explicaram que são viras falsas, pré montadas, e os sapatos são blaqueados, ou apenas colados.

Os manuais de anatomia de sapatos que circulam por muitos blogs brasucas chamam a vira de peça decorativa, talvez por desconhecerem a sua função prática, mas é verdade… Quando é falsa ela não serve nenhuma função estrutural e realmente é decorativa. Ela geralmente é feita de recouro ou plástico, materiais mais baratos do que o couro. Não estou dizendo que as viras falsas são vilãs. Elas servem para completar o visual da bota ou sapato, um bom truque, que permite que o consumidor adquira um estilo por um preço dentro de sua realidade.

Pelo que consegui apurar, os principais motivos porque maioria dos calçados brasileiros serem apenas colados, poucos blaqueados, e quase nenhum (quase zero) palmilhados são:

– Falta de maquinário.

– Falta de mão de obra com conhecimento para produzir esse tipo de produto.

– Falta de material para montar o sapato.

– Custos.

– Não existe mercado. Teóricamente o cliente não está disposto a pagar.

Sapato Pacco

Sapato blaqueado da Pacco. A parte de cima da sola tem ondulações, mas nada de uma vira robusta ou pontos falsos.

Este vídeo da linha Premium da Richards mostra o processo deles, que é blaqueado com uma sola que já tem uma vira pré montada, incluindo os pontos de costura (falsos):

[vimeo 30509249 w=500 h=341]

Exemplos de viras falsas:

4067501932

Sapatos e bota da Richards

Assim como estas na bota da sapataria Cometa:

Bota Brogue Cometa

Bota Brogue Cometa

…Que simula o solado de uma bota como esta da Trickers e da Alden, realmente “goodyear welted”, por exemplo:

Bota Brogue Trickers

Trickers

Bota Brogue Alden

Alden

 Como saber qual a construção de um sapato?

Se o fabricante quiser enganar o cliente, ele consegue. Pode ser impossível saber como um sapato é feito sem remover tudo e ir direto a sola, da mesma forma que é impossível saber se um carro tem motor de 3.800cc só de olhar para ele. Mais difícil ainda, é quando o sapato não chega nem a ser blaqueado, apenas colado e recebe uma vira falsa. É aí que se separam os honestos dos safados.

A melhor forma de saber é perguntando, ou verificando a tradição do fabricante. Felizmente ninguém chama os seus sapatos de goodyear welted quando eles não são (até onde sei), e quem curte botas e sapato de verdade vai saber o que é um palmilhado/goodyear, e aposto que irá se lamentar de não conseguir vender sapatos assim.

Apenas para a curiosidade de quem quiser tentar reparar eu vou listar alguns sinais mais óbvios:

– Um sapato goodyear welted tem uma vira (as melhores, de couro). No entanto, já vimos que isto pode ser simulado colando uma tira de couro ou plástico. Lembre-se portanto uma sola com vira falsa não deveria ser considerada um fator de qualidade. Ela pode até gerar mais custos, já que é algo extra (principalmente se for de couro), mas não interfere na durabilidade. Se ela for falsa, é apenas uma questão estética.

– Verificar a parte de dentro do sapato. Quem faz o sapato goodyear usa palmilhas de montagem de couro bem grossas, e contam com a estrutura toda do calçado para dar suporte ao pé. Por isso não custumam colar forros extras. Colocam no máximo um revestimento no calcanhar da palmilha (meia palmilha). Eles também tem orgulho e querem que você veja como o sapato é, por isso quase todos carimbam o Goodyear Welted em algum lugar.

palmilha de couro em sapatos goodyear welted

Interior de um sapato goodyear welted. Forro de couro no calcanhar e a palmilha de montagem de couro vegetal sem nenhuma costura, conforme diagrâma no início do post.

– É possível ver a costura por dentro de sapatos blaqueados. No entanto, quem blaqueia o sapato costuma forrar a palmilha e colocar acolchoamento extra para compensar a estrutura mais simples e também para evitar que os pontos incomodem o pé. O forro é colado, mas tem horas que dá para arredar um pouquinho e ver a costura quando ela é feita bem próxima da borda.

sapato blaqueado vista interna

O blaqueado fura de fora a dentro, reforçando a cola. Esta palmilha é fina, com uma camada de espuma por baixo.

– A costura na parte de baixo da sola dos sapatos blaqueados geralmente é mais espaçada, com menos pontos por distância (uma das fotos acima mostra as solas), mas isso não é certeza. Ela também fica mais para dentro da sola. Usando a lógica, dá pra perceber onde o ponto vai acabar e notar que ele não está conectado à vira, por exemplo. O ponto da construção goodyear, ou qualquer palmilhada, fica bem abaixo dos pontos que passam pela vira.

– A internet facilita muito porque os fabricantes costumam listar os seus métodos nos sites. Quando uma multimarca não tem basta, consultar o site da marca que fabricou. Pode não ter nada escrito se ele for blaqueado, mas quando é Goodyear Welted ninguém costuma deixar passar batido! Até mesmo a Asos faz questão de incluir este detalhe:

1

Goodyear Welted, em destaque no sapato da Grenson

2

No sapato Paul Smith apenas “quality construction” bem genérico, sem especificar. Como ele não tem uma vira é óbvio que não é Goodyear.

E este? Ele não fala nada mas tem uma vira. Já pode gerar dúvidas. Se o preço fosse um pouquinho mais barato do que um modeo melhor, o cliente poderia achar que eram feitos da mesma maneira.

E este? Ele não fala nada mas tem uma vira. Aí entra o preço, que é muito barato em relação ao outro.

Conclusão

Um sapato feito de uma forma não é necessáriamente melhor do que o feito de outra. Isso também vale para a comparação entre sapatos feitos à mão e sapatos feitos com máquinas. Existem diversos níveis de qualidade dentro da cada construção. As pessoas envolvidas no processo tem habilidades diferentes, e os fabricantes tem acesso à matéria prima de níveis diferentes.

É muito improvável, mas um sapato colado feito com o que há de melhor, pode até ser melhor do que um sapto goodyear feito com coisas ruins.  Estruturalmente, uma técnica é mais robusta do que a outra, mas qualquer uma será tão boa quanto os materiais utilizados. Faz menos sentido usar uma construção complexa para finalizar um sapato ou bota depois de ter economizado no resto da fabricação, então normalmente quando mais complexa a construção, melhor o material, para justificar o esforço.

O tipo de construção ideal também depende do tipo do sapato. Um mocassin de sola fina e flexível leva vantagem com uma construção blaqueada, enquanto uma bota para surrar no dia a dia leva vantagem com a maior durabilidade e impermeabilidade da construção goodyear. Uma pessoa pode preferir abrir mão de um pouco da durabilidade para ter um sapato social mais leve, feito com couro de primeira, e uma excelente construção blaqueada. Mas, igualando todos os fatores, e falando de apoio, resistência, durabilidade, suporte, e na força da construção, a goodyear é sem sombra de dúvidas, a superior entre as descritas neste post.

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52 Comentários

  • Responder
    R. Salles
    30/04/2013 at 11:42

    A cada dia me torno mais fã deste blog não só pela proposta apresentada, mas me identifiquei bastante com o gosto e estilo do blogueiro. Aprecio a forma com que escreve detalhadamente cada postagem, os produtos, sua forma de produção, o conceito que o seu designer, estilista, etc. quer passar ao mundo expressando-se por meio de suas criações.
    Fica difícil descrever cada aspecto do blog que me agrada pois ainda não encontrei nada que desagradasse ou que fosse fútil e desinteressante.Não lembro com o acaso me levou a conhecer o “soqueriaterum”, mas fico feliz por ter acontecido.

    Quanto a este post, desde que soube da existência da construção Goodyear welt (por meio deste blog), queria entender melhor como era a fabricação, quais as outras formas de construção e suas diferenças. E agora aqui está brilhantemente explicado com fotos, ilustrações, vídeos e um ótimo texto.

    Parabéns pelo blog!

    • Responder
      soqueriaterum
      30/04/2013 at 14:19

      Obrigado por todas as palavras!

      Existem mais algumas formas de construção mas estas são as mais usadas. Uma das vantagens da goodyear fica meio perdida no Brasil se os sapateiros realmente não conseguem trocar a sola. Ainda pretendo perguntar para mais alguns para ter certeza. Apenas arrancar e costurar a “outsole” não me parece muito diferente do que blaquear um sapato, só que com a costura passando pela vira. Ainda assim, os sapatos que tenho feitos dessa maneira são muito superiores.

  • Responder
    Marcelo
    16/05/2013 at 23:06

    Olá,

    Pensei em comprar um goodyear welted inglês, mas antes queria achar algum lugar no Brasil em que pudesse realizar a troca da sola… Com isso acabei chegando ao seu blog…

    Já conseguiu achar algum lugar?

    Abraço

    • Responder
      soqueriaterum
      16/05/2013 at 23:27

      Oi Marcelo.

      Eu não procurei direito mas pelo que conversei trocar a sola com certeza qualquer um consegue. Trocar a sola e a vira já é mais complicado.

      Para trocar a sola ele vai soltá-la da vira e colocar uma nova, só com cola e sem costurar de novo. Tenho minhas dúvidas quanto a costura pela vira, porque o rapaz que conversei ofereceu costurar blaqueado, da forma como eu escrevi no post (que perfuraria a entre sola e palmilha de montagem).

      Mas um bom sapato aguenta mais de 5 anos sem você precisar trocar a sola. Muitos fabricantes até aceitam ele de volta para fazer o serviço.

  • Responder
    Paulo
    17/06/2013 at 13:38

    Prezado,
    parabéns pelo excelente texto, muito informativo.
    Será que realmente não há nenhuma sapataria que utilize o método Goodyear no Brasil? Penso no Busso e no Pellegrini, mas imagino que também utilizem o blaqueado.
    E nossos vizinhos argentinos, dada a tradição em fabricar calçados de couro de alto padrão, acaso não teriam maior familiaridade com a técnica?
    Saudações cordiais

    • Responder
      soqueriaterum
      17/06/2013 at 15:09

      Oi Paulo, tudo bem?

      O que eu quis dizer é que não existe nenhum sapato industrial (até onde eu sei) que utilizam o método de construção “Goodyear”. Este método é uma maneira industrializada, utilizando a “Goodyear Welting Machine” para simular a construção manual através da vira.

      Quando um sapato é feito a mão ele também pode ter a sola simplesmente colada, ter a vira costurada de algumas formas diferentes ou até mesmo presa com pregos.

      Acredito que existam sapateiros mais experiêntes que consigam fazer o sapato desta forma sim. Acabei de entrar em contato com a Busso e com o Pellegrini e ambos me disseram que podem construir o sapato costurando a vira manualmente. Não sei se eles tem um procedimento padrão ou se cabe ao cliente solicitar que o sapato seja feito de uma forma ou outra. De qualquer maneira, o preço deles parece ser bastante alto.

      Não sei muito sobre os sapatos Argentinos. Acredito que os sapateiros que ainda fazem sapatos manualmente devem todos utilizar a costura e a vira. Pelo que pesquisei um dos melhores sapateiros de lá é este aqui: http://calzadoscorrea.com.ar/

  • Responder
    ALLV
    27/09/2013 at 21:08

    Olá,

    Esse blog tem uma proposta muito interessante e diferenciada. Tenho me tornado fã.
    Eu recentemente tive um grande amadurecimento no gosto por moda, e percebi que existe uma grande diferença entre vestir-se bem e vestir roupas de marca/ da moda. No entanto, pra minha decepção, ainda me encontro na faculdade, então não existe a mínima possibilidade de eu sair andando por aí de blazer.

    Mesmo assim, tenho tentado melhorar meu guarda-roupa. Quanto a sapatos, pretendo comprar alguns mais casuais, para substituir, pelo menos parcialmente os tênis. Dentre estes, uma Clarks cor sand, um derby de camurça (marrom claro) e um loafer que eu ainda não decidi qual modelo. Irei pra Inglaterra, França e ´Austria ano que vem e pretendo comprá-los lá, no entanto não sei bem aonde (rs). Você teria alguma sugestão de loja com produtos de qualidade razoável e preço idem (>100 euros)? Por enquanto eu só quero deixar de me vestir como uma criança, quando a hora chegar, investirei em peças melhores. Onde eu posso comprar um blazer desestruturado marrom com material semelhante ao tweed?
    Você realmente acha que estas fast-fashions têm qualidade tão ruim? No meu caso eu só procuro items que não aparentem ter má-qualidade que que tenham durabilidade razoável (não precisam durar 10-20 anos).

    Obrigado,
    ALLV

    • Responder
      soqueriaterum
      28/09/2013 at 16:15

      Oi AllV, obrigado. Parece que vai ser uma ótima viagem. Eu gostei muito da Austria. Algumas lojas que eu procuraria em Londres dentro da sua proposta: Uniqlo, Club Monaco e J Crew. Você está certo! É melhor começar descobrindo o que te faz sentir bem. Isso é o mais importante. O pior é querer ser algo para depois descobrir que gastou um dinheirão em uma coisa que não te deixa a vontade. Se você quiser uma ajuda para escolher pode ir deixando comentários aqui ou me mandar um inbox pelo facebook do blog. Eu te ajudo a caçar umas coisas.

      Eu acho que as fast fashion tem qualidade ruim, mas ao mesmo tempo elas são bem baratas (a Uniqlo está acima da média). Eu não tenho nada contra comprar nelas, mas os estilos que eles vendem não batem muito com o meu. Acabo levando umas coisas basicas. O lugar que você não pode deixar de passar é na Uniqlo. Acho que fica na Oxford Street. Vai ser um lugar perfeito para você comprar esses básicos que quer. Você pega um jeans escuro, uma calça chino (tem até calça cargo slim), camisas de todos os tipos, blazers, jaquetas, casacos, meias de montão. Sai de lá com todos os básico e depois passa nas outras para pegar aquelas peças mais trabalhadas.

      É capaz de você encontrar o seu blazer por um bom preço na Suit Supply ou na J.Crew, até mesmo na Uniqlo. A Suit Supply tem um estilo mais napolitano, com ombros desestruturados. Fora estas, tem a Zara, H&M e Topman e Gap. Lá você também deve achar um blazer legal, mas com corte bem puxado.

      Essas escolhas de sapato são uma boa. Você vai comprar tudo ao mesmo tempo? Eu escolheria ou a clarks OU o derby de camurça, e pegaria um sapato de couro marrom escuro (ou quem sabe uma bota se o sapato for muito formal). Um derby com uma sola mais grossa, talvez: http://meermin.es/ficha_articulo.php?id=1955

      Na Inglaterra você não vai ter dificuldade de achar um bom sapato. Se estiver curioso, a Jermyn Street é uma rua mais tradicional onde ficam vários dos melhores sapateiros (Church’s, Tricker’s, John Lobb, Crockett & Jones). >100 ao infinito. Você pode procurar um sapato da Loake ou Cheaney, são marcas boas de sapatos palmilhados (goodyear) inglêses, o preço delas é mais baixo. Ah, você também pode tentar enviar um produto da Meermin para o seu hotel. A Áustria também é conhecida por bons mestres sapateiros: Saint Crispin, Maftei, Rudolf Scheer, Ludwig Reiter. Estes são $$$$, mas quem sabe não encontra um produto local com um preço interessante.

      Quanto a umas lojas mais “conceito” se você quiser explorar:

      – Trunk Clothiers: Um monte de marca do Japão, Itália, Reino Unido… é considerada uma das melhores lojas masculinas do mundo. Vendem Barbour, Aspesi, Boglioli, Beams+, Common Projects, Drakes, Gitman, Incotex, Mackintosh, Nanamica, Our Legacy…
      – TM Lewin: Camisas baratas e de boa qualidade. Muita variedade.
      – Oficina Slowear: Vende as marcas da slowear (Incotex). Alfaitaria italiana.
      – Na Brook Street você passa pelo John Smedley, Reiss, Comme de Garçons, Mackintosh
      – Regent Street: Liberty London. Loja de departamento chique. Construção bonita, interior bacana. Vende moda, moda de rua, casual, street wear, tudo. Você acha Philip Lim, APC, Norse Projects, Margiela, Nigel Cabourn, Ralph Lauren. Não é barata, mas é legal de entrar.
      – Na Regent Street também ficam marcas grandes. Hackett, Brooks Brothers, Barbour, J Crew, Belstaff, Drakes…
      – No Soho tem uma loja chamada Albam Clothing que vende Red Wings, New Balance e outras marcas do tipo. Essa região é cheia de lojas independentes, lugares menores com produtos legais.
      – Tem a Savile Row, onde ficam os alfaiates.
      – Picadilly é onde fica o luxo. Na Bond Street fica a Gucci, LV, mansão Ralph Lauren, Loro Piana, Cuccinelli, etc etc.

      Ah, da uma olhada aqui: blackboots.com.br

      Eu estou trabalhando lá como gerente de e-commerce. Tem umas botas que talvez te interessem. Não são excelentes como os sapatos inglêses mas não são nenhuma porcaria. Também estamos bolando uma desert boot (igual a clarks em todos os detalhes), eu coloquei o primeiro protótipo no instagram (blackbootsbrasil), mas já mudamos alguns detalhes.

  • Responder
    Fernando Paschoal Xavier
    30/10/2013 at 06:39

    Olá,
    Parabéns pelo blog!! recentemente tenho feito pesquisas sobre o assunto tratado e é muito bom saber que ainda tem pessoas que saibam o que é um sapato Goodyear. Sou de Franca, terra dos calçados, e mesmo aqui temos dificuldade em encontrar quem faz um sapato com esta construção. Venho de uma família de sapateiros italianos e portugueses, que nos anos 60 70, trabalharam com este tipo de sapato. Após muitos anos de inatividade reuni o pessoal antigo e estamos começando a faze-los novamente. A grande dificuldade além das maquinas, pois as linhas Goodyear, que são compostas por varias maquinas, 5 mas precisamente, estão incompletas. Sempre tem uma faltando e as outras precisam de manutenção e não há muitos mecânicos que saibam fazer o que precisa. As duas maquinas dos primeiros vídeos temos disponíveis mas faltam outras três que são quase sucata. Resultado de muitos anos sem cuidados. O outro problema e que vai opera-las. Não consegui muitas pessoas que queiram. A maioria já esta com idade avançada e não tem mais disposição, sem contar a exigência de adaptação à norma de segurança (NR12). Praticamente impossível em equipamentos com essa idade. Com tudo isso vemos que é muito difícil fabricar Sapatos Goodyear industrialmente no Brasil. uma saída seria importar maquinas novas e formar mão de obra especializada, mas isso custa e leva tempo.

    Nos estamos produzindo um calçado tipo Goodyear, estruturalmente igual aos ingleses e acabamento italiano. Mas sinceramente é muito difícil pois praticamente todas as etapas são feitas a mão. São sapatos feito para durar, com muita técnica atenção aos detalhes. Fazemos sapatos porque amamos e nosso coração vai junto com eles!! Leva tanto tempo para faze-los um que ate nos apegamos…

    Fico feliz de saber que há pessoas que valorizam este tipo de calçado. Nossa Marca é
    Joseph Paschoal Bootmaker e logo teremos um site para apresentar o produto.

    Mas uma vez parabéns pelo blog!

    Tenham um bom dia!

    • Responder
      soqueriaterum
      30/10/2013 at 23:38

      Oi Fernando. Parabéns pela sua iniciativa. Eu trabalho em uma loja de calçados e estamos tentando lançar algumas botas feitas assim. A dificuldade é esta mesma que você falou: as maquinas existem, mas falta pessoal. Outro problema é a matéria prima… boas palmilhas de montagem de couro, cortiça, etc.

      Você se importa de mandar umas fotos dos sapatos por email? Eu quero saber mais sobre o projeto de vocês. Parabéns e boa sorte!

      • Responder
        Fernando Paschoal Xavier
        31/10/2013 at 05:47

        Olá bom dia!
        Obrigado pelo comentário. Sim é verdade, apesar de poucas as maquinas ainda estão por ai. Com as palmilhas de couro até que não temos dificuldade em Franca se encontra de tudo o que é tipo, as que não tem podem ser feitas. O que acontece é que o preço é salgado, pois não há linha de produção para palmilhas assim. Temos uma linha de botas com a mesma construção, a linha country esta pronta e tem dupla sertaneja testando por ai! Uma Desert Boot esta quase pronta. Para onde gostaria que eu mandasse as fotos? Estou em viagem e não as tenho comigo no momento, mas assim que eu voltar, esta semana ainda, te mando.

        Um grande abraço,

        Fernando

          • Fernando Paschoal Xavier
            01/11/2013 at 00:36

            Olá, ok mandarei nesse endereço.

            O problema é que nosso couro toma outro rumo, que não o calçado………

            Meu principal negócio é couro. Eu trabalho há vinte anos com isso e te digo o seguinte. O Brasil tem acesso às mesmas tecnologias que existem em outros países, 90% das maquinas é importada da Itália e o acesso a processos de curtimento e produtos químicos também é fácil. Todas as multinacionais de químicos tem base aqui. O que acontece é que nossa indústria curtidora prioriza a produção de couro para estofamento moveleiro e automotivo para exportação devido aos altos volumes e a predominância aqui no Brasil do gado zebu, que é apropriado para este tipo de artigo. Produzir couro calçado com gado zebu e compara-lo com gado europeu, nós sempre vamos perder em qualidade e artigo. Outro problema e a exportação de couro no estado de WET BLUE, termo usado para o couro que esta somente curtido. Neste estagio ele ainda esta molhado e tem a cor azul, por isso o nome. O que sobra para ser produzido aqui, no mercado interno, na maioria das vezes tem classe baixa (muitos defeitos) e são produzidos com foco no preço baixo prejudicando o produto final.

            A maioria dos nossos calçados são feito em produção em massa e para serem baratos, infelizmente. Não da para comparar com os produtos produzidos artesanalmente na Europa. Como a demanda para couro calçados de alta qualidade é baixa, fica difícil para alguém produzir, e quem produz sempre exporta. Uma saída para quem quer couro de alta qualidade é comprar o couro, um ou dois estágios antes do acabamento final e acaba-lo já no sapato conseguindo um visual mais parecido como o dos italianos. Mas know how para isso não se encontra em qualquer fabrica, além de elevar custos……

            Outro problema esta nas solas de couro, só temos 4 curtumes no Brasil produzindo volume com qualidade. Com a produção voltada para exportação, e a demanda no mercado interno baixa, já que calçados com sola de couros no Brasil são poucos se comparados aos de sola de borracha, pvc e TR, o preço sobe. Uma sola do couro dupla com salto também de couro (na maioria o salto é de MDF) e capa de borracha custa quase o mesmo que um par de sapatos popular. Portanto, produzir um calçado de 100% couro não é fácil e nem barato, mas é para vida toda quando bem feito.

            Enfim, a cadeia envolve tantos detalhes que daria para escrever a noite toda, se quiser mais detalhes posso ir escrevendo aos poucos conforme for acessando o blog…..mas temo sair do assunto principal que é sapato….

            Um abraço,

            FPX

    • Responder
      Pedro
      13/11/2013 at 16:12

      Em Três Corações-MG a Atalaia fabricava os seus calçados (botas,coturnos e sapatos) no sistema Goodyear Welt por mais de 30 anos, suas maquinas foram vendidas para um alemão que fabricou pouco tempo e também já encerrou suas atividades, as maquinas foram vendidas pra de Franca, a pessoa tem apelido de Cocão.Em Itanhandú-MG ainda se encontra varias maquinas.

      • Responder
        soqueriaterum
        13/11/2013 at 22:10

        Oi Pedro. Eu acho que sei de qual alemão você fala. O Peter que fazia as botas Paraíso. Ainda tem umas botas dele na loja onde eu trabalho. Vou colocar umas fotos aqui, O dono era representante, algo assim.

        Parece que as máquinas existem mas o problema é também a mão de obra tanto para manutenção quanto operação.

        Eu acho que a hora ainda vai chegar e daqui a pouco alguma grande empresa calçadista lança uma linha “goodyear” com uma campanha de marketing bem arrojada!

        • Responder
          Fernando Paschoal Xavier
          14/11/2013 at 09:21

          Olá, bom dia!

          É verdade, uma hora dessas alguém faz uma linha Goodyear! Tenho notícias que tem gente grande pesquisando, além de mim…, mas eu sou pequenininho!! Acabei achando um conjunto goodyear quase completo. Já daria para trabalhar. A questão e ver se compensa o investimento. Somente uma etapa teria que ser feita à mão. Por um lado é interessante, mas ainda acho que um sapato feito todo à mão, por um artesão, chega quase a ter alma…..toma tanto tempo e carinho e sempre leva um pouco da personalidade de quem o construiu.
          Nos aqui na Joseph Paschoal estamos trabalhando em um Goodyear manual, mas da uma trabalheira danada! Logo ficará pronto. Os “Blake Rapid”” já estão prontos, sapatos oxford e derby, botas cowntry e desert boots. Todos “Blake Rapid”. Robustez Britânica e design contemporâneo.

          Um abraço,

          Fernando

          • soqueriaterum
            14/11/2013 at 15:42

            Fernando! Eu fiquei na correria e nem respondi seu e-mail. Qual etapa seria feita à mão? A Meermin usa a máquina e faz o lasting na mão (colocar o couro na forma do sapato). Vocês tem a cortiça, as palmilhas de montagem, tudo?

            Vou responder seu e-mail! Me desculpe a demora.

          • Fernando Paschoal Xavier
            14/11/2013 at 17:35

            Olá,
            Fica tranquilo, quando tiver um tempo você responde!!
            É o seguinte O lasting pode ser feito a mão ou a maquina, vai depender do estado do conjunto goodyear que a empresa tiver, já que sempre esta faltando uma maquina nos conjuntos disponíveis. No goodyear original à maquina, o lasting é feito em uma maquina que prende o Toe (bico do sapato) com um arame. Esta maquina simplesmente não existe, todas foram vendidas como sucata devido a complexidade operacional e a falta de pessoas com conhecimento para opera-las. Sendo assim o melhor é fazer à mão, mas o cara tem que ser muuuito bom! Fazendo esta à mão da para fazer a seguinte na maquina, (stitching insole) que é costurar o revirão (vira) no cabedal e na palmilha. Desta forma a dificuldade fica por conta da palmilha, ou melhor do “rib” (reforço que vai na palmilha onde se costura o cabedal e o revirão (vira). Este “rib” é preso na palmilha por uma maquininha que tira o “rib” de um rolo e prega-o na palmilha. Esta é a segunda maquina que mais falta nos conjuntos, é muito frágil quebra muito e o “rib” ideal só tem importado, mas como ninguém usa, ninguém importa! Mas da para fazer com alternativas no mercado interno desde que a maquina esteja disponível. Se optarmos por construir um sapato assim então teríamos: Lasting na mão, rib na maquina e stitching insole na maquina. Da para fazer também o lasting na maquina, mas assim o stitching insole tem que ser feito obrigatoriamente na mão. Sem contar as etapas seguintes com o stiching outsole, esta da para fazer a maquina, mas é 80% competência do operador e 20% da maquina, quando esta está disponível. As tchecas e as noruegueas são as melhores e tem poucas trabalhando por ai! Eu mesmo já tentei varias, difícil foi encontrar a maquina e quase impossível o operador. Tem que formar mão de obra nova senão é difícil. Como se vê a etapa a ser feita a mão depende da falta das maquinas nos conjuntos Goodyear que ainda estão por ai! As palmilhas são fáceis de encontrar isso não tem dificuldade o mais complicado é o rib, mas da para fazer de outro jeito. Cortiça também tem da para fazer com a moída ou a em placas que é mais pratica e faz menos sujeira….rsrs. Nos nossos Blake Rapid usamos cortiça também, em placas. NO goodyear que estamos desenvolvendo ainda não definimos exatamente que caminho seguiremos, mas acho melhor lasting na mão e stitching insole na maquina com stiching outsole na mão. Parece complicado, como de fato o é…..mas o resultado é excelente.

            Um abraço,

            Fernando

          • soqueriaterum
            14/11/2013 at 22:58

            Fernando, valeu pela contribuição! Conteúdo foda para um site de “moda masculina”. Da uma olhada no site da Meermin. Eles fazem exatamente este processo e é um sapato com preço excelente e provavelmente a melhor qualidade do mercado nesta faixa e até mesmo um pouco acima. A linha Maestro deles é mais barata que muita gente e tem detalhes, construção e acabamento de sapato muito mais caro. O lasting em ambas as linhas é manual, que muitos dizem ter as suas vantagens, e o resto é na máquina ou a mão dependendo da linha. Na máquina usam o rib para fixar a costura.

            Esse rib que é um tópico de discussão muito polêmico, com pessoas que juram que ele é frágil e mata a durabilidade de um calçado e que bom mesmo só quando o canal de costura é aberto à mão para não precisar do tecido. Os extremistas!

            Eu vou resonder o seu email com calma. Já olhei os sapatos. Quero ver outras coisas com você também!

          • Fernando Paschoal Xavier
            15/11/2013 at 08:47

            Oi Bom dia!

            Isso mesmo, os sapatos da C&J são feitos à maquina. Toe lasting, stitching insole e stitching outsole. Se você reparar bem, em algumas partes do vídeo da para ver o arame que mencionei antes. Este é o processo original Goodyear. Dá para fazer em maquinas adaptadas que ao invés de dobrar o cabedal e colar embaixo da forma, elas dobram para fora. Mas é uma “gambiarra”, nem sempre fica bom. Estas maquinas de arame são raríssimas no Brasil.
            O rib é bem isso que você falou, é bem polemico…..
            Se pensarmos do pondo de vista de resistência, como por exemplo, se fossemos puxar um carro com o sapato…rsrs… com certeza o palmilhado costurado na palmilha vai ser muito mas resistente, já que o rib é somente colado e aguentaria uma força bem menor. Mas falando apenas do uso como um calçado, as resistências se equivalem uma vez que a outsole acaba prendendo tudo…..Eu como sapateiro, prefiro sem rib por uma questão de conceito de originalidade. Obviamente, dá mais trabalho e leva-se mais tempo para fazer.

            FPX

    • Responder
      Sergio
      21/01/2014 at 09:15

      Ola´, Moro no exterior e vi o artigo no website da Couromoda sobre os sapatos da Joseph Paschoal. Tentei encontrar algum telefone, endereço, website ou email de contato para encomenda de sapatos, mas não consegui encontrar em lugar nenhum. Como posso entrar em contato com vocês

  • Responder
    Fernando Paschoal Xavier
    14/11/2013 at 18:15

    Oi pessoal!

    Esclarecendo o que escrevi acima, quando digo lasting na maquina e o restante manual quero dizer na maquina do jeito moderno, com cola. Desta forma não há como fazer o stitching insole na maquina pois não há espaço para a maquina entrar com os guias e coisas mais……… há um vídeo da Louis Vuitton que mostra isso….Loius Vuitton men’s shoemaking in fiesso d’Artico.

    SDS,,

    FPX

    • Responder
      soqueriaterum
      14/11/2013 at 22:56

      Bem que fiquei confuso. Tem vídeos, se não me engano da C&J, que mostram o lasting sendo feito por uma máquina e em seguida o stitching insole também na máquina.

  • Responder
    adauto
    07/04/2014 at 14:04

    que bom que estejam pesquisando sobre este sistema, faço assim ,mas meu trabalho é manual, gostaria de mais informaçoes sobre a maquina que costura a vira, podem me ajudar?

    • Responder
      Fernando Paschoal Xavier
      15/04/2014 at 16:01

      Oi Adauto, tudo bem?
      Que tipo de informação você precisa? Talvez eu possa lhe ajudar!

      • Responder
        Vaqueiro Boots Adauto
        17/04/2014 at 10:34

        ola Fernando,tenho a pontiadeira , uma rapid e e preciso de informaçoes sobre a maquina que costura a vira, faço no sistema antigo , abro a lateral da palmilha de dentro para fora manualmente,quero fazer a maquina, mas já procurei , e só a encontro no exterior , sabe me informar ? obrigado.

        • Responder
          Fernando Paschoal Xavier
          17/04/2014 at 14:22

          Olá Adauto, boa tarde!
          Em que cidade você se encontra?
          Realmente a palmilhadeira não é fácil de encontrar. Não existe fabricante nacional. São todos importadas e as confiáveis são as europeias. Portanto só existem usadas e em péssimo estado de conservação. Muitas faltam peças e as marcas e modelos já não existem mais. Além disso, você precisará de outra maquina para colocar o Rib, que é onde a costura da palmilhadeira vai prender o cabedal. que quantidade de pares você pretende fazer? Se for pouco ta;vez nem compense você comprar. Sei de uma maquina dessas que estava à venda mas o estava dela é bem ruim. Talvez nem valha a pena investir em uma dessas se a quantidade de pares for pequena. Vou ver se ele ainda não vendeu!

          Um abraço,

          Fernando

          • Vaqueiro Boots Adauto
            20/04/2014 at 19:13

            ola Fernando, sim, minha produção é muito pequena mas pretendo aumentar com o tempo, faço todo o palmilhado a mão, com a maquina posso aumentar a produção sem precisar por mão de obra , sou de ouroeste sp, aqui não existe mão de obra para sapataria, quanto ao rib vou fazer no sistema antigo abraço Adauto

  • Responder
    Annelie Richardsson
    02/01/2015 at 07:31

    Hello,
    Do you sell soles for shoes? I need different ones in size 39,40,41.
    Whole soles to put on the shoes I make in woolfelt.
    I ask because it is hard to buy small amonts. I would like about 50 but I only find them who is selling 2000-10 000.
    Best regards Annelie Richardsson
    AR Design Orust Sweden

  • Responder
    sandro
    09/03/2015 at 21:26

    Olá,

    Gostei muito do blog, parabéns!
    É um assunto que me interessa bastante,
    gostaria de ver mais modelos de calçados.
    Muito interessante.
    Um abraço

  • Responder
    Daniel Sosa
    15/03/2015 at 22:41

    Grandíssima postagem! Fiquei impressionado agora com o nível de conhecimento do autor e agradeço, de verdade, por me ajudar a evitar um grande erro. Por citar exemplos de calçados da Sapataria Cometa e da Pacco, as quais já estou familiarizado, mesmo que não possua nenhum produto de ambas as marcas, você impediu que eu gastasse uma nota em sapatos que não são de confiança.

    Já li diversos artigos sobre o chamado Goodyear Welt e, hoje, descobri o nome do método de blaqueamento, porém a sua descrição foi a mais esclarecedora e bem formulada de todas, o bastante para me fazer acreditar que, mesmo com solados costurados, os calçados brasileiros ainda não atingem o nível mais baixo de qualidade, quando comparados aos grandes de marcas estado-unidenses e europeias.

    Realmente, conheci esse pequeno e maravilhoso blog hoje. Admito ter amado o que tenho lido até agora e, também que, perto do autor, não chego nem perto de ser considerado um verdadeiro entusiasta por sapatos…

    Por favor, continue trazendo mais assuntos incríveis e obrigado outra vez c:

  • Responder
    Liliane
    25/06/2015 at 21:30

    Hola vivo en espanha e quero comprar as duas maquinas estas que esta postada como faço , sistema goodyer para costura de solados e sapato com construçao goodyear welted, alguem pode me informar ? ficaria muito grata pela informaçao Liliane

  • Responder
    Fael
    28/01/2016 at 10:15

    Olá Pedro, vi que você entende dessas maquinas, gostaria de saber onde compro uma dessas maquinas usadas mesmo vou adaptadas para fazer uso dela para outra finalidade, Você saberia onde posso encontrar ??

  • Responder
    Givanildo
    09/10/2016 at 10:53

    Que blog sensacional… Estou encantado com a riqueza dos detalhes descritos nesse artigo. Parabéns pelo riquíssimo trabalho!

  • Responder
    Marcelo Yamaguti
    10/11/2016 at 09:49

    Lucas,vc conhece alguem q faça o resole de botas red wing no Brasil?Em São Paulo,mais especificamente

    • Lucas Azevedo
      Responder
      Lucas Azevedo
      09/01/2017 at 13:23

      Oi Marcelo. Não conheço, desculpa.

      Se for a Moc Toe, você consegue fazer a resola sem o sapateiro precisar de palmilhar (goodyear). A sola branca é só colada. Tem uma outra sola fina entre ela e a vira, que é onde fica a costura. A dificuldade é conseguir a sola no estilo.

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